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Redescobrindo o Sul da Bahia

Réplica da Nau Capitânea de Pedro Álvares Cabral A região da costa brasileira no sul da Bahia, onde primeiro chegaram os portugueses em 1500, ficou esquecida na história até a segunda metade do século 20, quando começou a receber atenção de jovens, artistas e intelectuais das grandes cidades devido à riqueza ecológica da região, beleza das praias e seu isolamento, sem estradas nem luz elétrica, com a população nativa constituída basicamente de pescadores, pequenos agricultores e indígenas de origem tupi-guarani. Era o lugar ideal para a reconstrução da sociedade de acordo com a visão utópica de comunidades em harmonia com a natureza.
Em meados dos anos 1970 jovens da versão brasileira dos hippies (movimento contracultural do final dos anos 1960 nos Estados Unidos) começaram a aparecer nas praias da vila do Prado, do vizinho Arraial d´Ajuda (separados pelo rio Buranhém) e da antiga redução jesuíta de índios conhecida como Trancoso, espalhando-se depois para Santa Cruz (Cabrália) ao norte e Alcobaça e Caravelas ao sul .
Nas décadas seguintes, com a chegada de investimentos imobiliários e turísticos, uma nova onda de redescoberta ocorreu também na parte sul da microrregião, tendo como pólos de atração as praias semidesertas da região de Alcobaça e de Caravelas, ao lado do rio Peruípe, e para o ecoturismo os recifes entre Prado e Mucuri e o famoso arquipélago de Abrolhos - três ilhotas a 70 km mar adentro, ideais para mergulho, visitadas no passado por piratas e naturalistas como Charles Darwin.
A redescoberta no Século 20 atraiu atenção para a grave questão indígena, apressando processos de demarcação de terras dos descendentes dos primeiros habitantes de língua tupi-guarani, como os índios Pataxós, agrupados em torno de movimentos de resistência no Parque Nacional de Monte Pascoal.Criaram-se também unidades de conservação, como os parques nacionais do Pau Brasil, do Descobrimento e de Monte Pascoal. Com o nome derivado da expressão portuguesa para "abra os olhos", diante do perigo representado pelas ilhotas em alto mar, o arquipélago de Abrolhos transformou-se em parque nacional marinho, com áreas de reserva exclusiva, de pesquisa e visitação. Recebe fluxo regular de visitantes a partir dos aeroportos de Caravelas e Prado, que alimentam as agências de turismo e operadoras de embarcações que fazem o trajeto entre o continente, as ilhas e os outros sítios marinhos de corais e recifes no Oceano Atlântico - recifes de Timbedas (a leste de Alcobaça) e Coroa Vermelha (diante de Mucuri) e parcel das Paredes, o maior deles, em frente a Caravelas.
A última onda de investimentos ainda está em curso, com a disponibilização de terras de fazendas para investimentos turísticos, mas agora a demanda já se divide entre o sul da Bahia e as praias do Nordeste.
Muitos dos primeiros visitantes, encantados, transformaram-se em moradores e abriram caminho para a descoberta turística da região por parte de artistas e gente famosa.
A abertura de nova fronteira para investimentos em turismo levou o governo a providenciar estradas, asfalto, eletricidade e telecomunicações, criando a infra-estrutura necessária para a atração de grandes investimentos em hotéis, pousadas, centros de lazer e serviços em geral. Em consequência, agravaram-se problemas ambientais de ocupação desordenada de solo (invasões freqüentes da faixa de marinha, pertencente à União, ocupações de falésias e encostas, aterramento de várzeas e destruição de manguezais etc), falta de tratamento de esgotos, esgotamento de solos, monocultura de eucalipto e assoreamento de rios e córregos. No mar, há indícios de esgotamento de espécies devido à pesca excessiva.
A utópica ocupação de alternativos resultou na corrida turística, no boom imobiliário dos anos 1980-1990, com valorização das terras dos nativos, e...na globalização capitalista da Costa do Descobrimento no sul da Bahia, entre os rios Jequitinhonha ao norte e Mucuri ao sul, na divisa com o estado do Espírito Santo.

 

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